Revista CadernoS de PsicologiaS

Terapia online e fortalecimento de vínculos em tempos de pandemia

Anadir Luiza Thomé Oliari
Instituto da Família FTSA - Faculdade Teológica Sul Americana - Londrina-PR

Psicóloga (CRP-08/0707). E-mail: anadirthome@gmail.com.
Marianne Ramos Feijó
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” - Bauru-SP

Psicóloga (CRP-06/46919). E-mail: marianne.r.feijo@unesp.br
#Inquietações_teóricas

Resumo: O artigo trata dos impactos da pandemia por COVID-19 na saúde e na qualidade de vida humanas e apresenta a terapia online, familiar ou em grupos, de base sistêmico-complexa, em tempos de distanciamento social, como possibilidade de co-construção de estratégias de enfrentamento e de cuidado com os vínculos. Reflexões sobre melhorias nas relações familiares, nas condições de vida e de trabalho com vistas à promoção da saúde, em seus aspectos físicos, psíquicos e sociais são focos importantes de atenção em tais processos psicoterapêuticos, que sempre que possível devem contar com sessões presenciais. Exemplos de exercícios narrativos e de reflexões que podem ser feitos online são mencionados.

Palavras-chave: Terapia online; vínculos; pandemia.

Online therapy and strengthening bonds in times of pandemic

Abstract: The article is about Covid-19 impacts on human health and quality of life and presents online therapy in family or in groups, with a complex-systemic base, in times of social distancing, as a possibility of co-construction of strategies of coping and the care with bonds. Reflections about improvement on family relations, life conditions and work conditions, for promotion physical, psychic and social improvements in healthcare are important targets in psychotherapeutic processes, which should have presential sessions as often as possible. Examples of narrative and reflective exercises that can be applied are mentioned.

Keywords: online therapy; bonds; pandemic

Terapia online y fortalecimiento de vínculos en tiempos de pandemia

Resumen: El artículo aborda los impactos de la pandemia de COVID-19 en la salud humana y la calidad de vida y presenta la terapia online, familiar o en grupo, con una base sistémica compleja, en tiempos de aislamiento social, como una posibilidad de estrategias de co-construcción de afrontamiento y cuidado de los vínculos. Las reflexiones sobre las mejoras en las relaciones familiares, las condiciones de vida y de trabajo con miras a promover la salud, en sus aspectos físicos, psicológicos y sociales, son importantes focos de atención en tales procesos psicoterapéuticos, que siempre que sea posible deben incluir sesiones presenciales. Se mencionan ejemplos de ejercicios narrativos y reflexiones que se pueden hacer en línea.

Palabras clave: terapia online; vínculos; pandemia

Introdução

A pandemia por COVID-19 tem resultado em elevado número de mortes e de adoecimento de pessoas infectadas e de diversos outros indivíduos, que por sua vez manifestam seu adoecimento com sintomas físicos e psíquicos, além de dificuldades relacionais. Crises em setores como o da economia com perda massiva de renda e de emprego, também são gerados ou agravados pela pandemia, que paralelamente transformará muitas relações e fazeres nas famílias, nas organizações de trabalho e na sociedade em geral (Ferreira & Falcão, 2020).

O consumo, especialmente de combustível fóssil, poderá ser revisto, bem como a importância das relações, da convivência, do lazer e do acesso aos direitos a toda população deverá ser alvo de reflexão. A colaboração entre pessoas e instituições é um caminho que desponta como necessidade e ao mesmo tempo como solução dos principais males que nos afligem, parte deles sustentados pelas desigualdades sociais e pela violência (Souza & Feijó, 2020). Tal caminho demanda, porém, boas relações e cuidados com vínculos, o que envolve também fortalecimento individual.

As autoras do presente artigo são professoras e pesquisadoras, que por meio de uma parceria interinstitucional decidiram dialogar sobre a importância da terapia online familiar ou em grupos, de base sistêmico-complexa, em tempos de distanciamento social, como possibilidade de co-construção de estratégias de enfrentamento e de cuidado com os vínculos, com vistas à manutenção de qualidade de vida e de preservação da saúde. Pautadas em experiência de mais de 20 anos com formação de terapeutas de família, em orientação e participação em pesquisas de conclusão de curso de graduação e de pós-graduação, estão convictas de que o cuidado com as relações, especialmente familiares, protege a saúde e reduz o sofrimento.

Objetivos

O artigo visa refletir sobre impactos do COVID-19 na vida e na saúde e apresentar a prática de Terapia online síncrona com o objetivo de fortalecer vínculos e a inclusão social, portanto, de construir senso de pertencimento, espaços de legitimação e de participação com autonomia e concretas possibilidades de exercício do protagonismo (Souza & Feijó, 2020). Reflexões sobre melhorias nas relações familiares e nas condições de vida na família e no trabalho são focos importantes de atenção em tais processos psicoterapêuticos.

Fortalecer pessoas é reduzir a vulnerabilidade e enfocar a resiliência – portanto, suas forças e recursos. Quando procuram atendimentos psicológicos individuais, familiares e grupais e manifestam medos, angústias, necessidades e vontades, as pessoas, além de fragilizadas, frequentemente se encontram distanciadas ou em conflito com partes de sua rede social significativa, o que dentre outros problemas vivenciados é fonte de sofrimento (Moré, 2005; Silva, Moura & Zugman, 2015; Amato, Ronzani & Noto, 2015)

Vulnerabilidade social e pandemia

O sofrimento humano deve ser compreendido em seus aspectos processuais, relacionais e contextuais, de acordo com o pensamento sistêmico-complexo ou sistêmico novo paradigmático e pós-moderno. Isso significa pensar que os problemas que as pessoas vivenciam e relatam atravessam e são atravessados por processos, tais como os ciclos de desenvolvimento dos indivíduos, das famílias, da sociedade e do próprio problema que vivenciam; por relações; e por contextos, como as condições socioeconômicas sociais e culturais – portanto por paradigmas vigentes e ideologias dominantes (Morin, 2015; Grandesso, 2017; Vasconcelos, 2007).

O cuidado com as pessoas que sofrem e com seus vínculos por um profissional capaz de compreendê-los como parte de um todo é relevante, especialmente em um momento de pandemia e de distanciamento social que restringe contatos importantes à socialização, legitimação e pertencimento, é gerador de medo por extremo impacto de incertezas e de mudanças, o que por sua vez se caracteriza como uma situação de vulnerabilidade. São mudanças repentinas no montante de renda, no trabalho, nas carreiras, na moradia, nas relações familiares e de vizinhança, na divisão de tarefas domésticas, nas formas de lazer e de estabelecimento de rotina diária, que podem ou não estar associadas entre si e a uma série de condições desfavoráveis à qualidade de vida e saúde (Ferreira & Falcão, 2020). Cabe ressaltar que tais pessoas e relações apresentam peculiaridades, necessidades, mas também forças, o que o profissional deve conhecer.

Compreende-se por vulnerabilidade, uma condição presente que enfraquece pessoas e grupos, por questões individuais, sociais e programáticas (Ayres, 2003; Sodelli, 2015). Os aspectos de resiliência (superação de adversidades e capacidade das pessoas e de grupos de continuarem se desenvolvendo a despeito de catástrofes e traumas que os impactam) e fatores psicossociais protetivos (trabalho decente na vida adulta, projetos de vida e de desenvolvimento, redes sociais de apoio, de legitimação, de convivência) são fortalecedores e podem reduzir o impacto de uma dificuldade, crise ou trauma (Souza, 2011; Ribeiro & Berg, 2010; Bendassoli, 2009; Moré, 2005). Compreende-se por trabalho decente a atividade laboral adequadamente remunerada, produtiva e realizada em condições de liberdade, equidade e segurança (Ribeiro & Berg, 2010). 

Segundo Amato, Rozani e Noto (2015), fatores de proteção minimizam riscos, sendo que fatores de risco aumentam a probabilidade de a pessoa ser afetada por algo (infecção por COVID, morte por COVID, adoecimento com manifestações psíquicas associadas ao COVID) e a vulnerabilidade é a situação em que há aumento de probabilidade de ocorrência de algo negativo ocorrer em função da exposição aos fatores de risco. Podemos entender como exemplos de fatores de vulnerabilidade individual a negação da existência do vírus e de sua letalidade; de vulnerabilidade social, a violência intrafamiliar, inclusive entre parceiros íntimos que prejudicam a saúde, as condições precárias de moradia e de trabalho que, entre outros fatores, impedem os cuidados de saúde necessários em tempos de pandemia; e de vulnerabilidade programática, a falta de comunicação assertiva e confiável sobre o vírus, sua transmissão e tratamento de infectados, e escassez de programas consistentes de prevenção e de cuidados – logo, a carência de gestão de saúde pública articulada e consistente em âmbitos nacionais, regionais e institucionais, de implementação de programas emergenciais e duradouros para a garantia dos direitos, de controle de tais ações e resultados, com consequentes ajustes de rotas comunicados com cuidado à população.

Quando garantidos, os direitos à saúde, moradia, alimentação e educação de qualidade, incluindo a convivência familiar, o cuidado com as relações deverá ampliar a proteção e o apoio. A legitimação, inclusive da diferença entre pessoas, o estímulo à autonomia e ao protagonismo são relevantes à saúde.

Violência de qualquer natureza aumenta a vulnerabilidade e condições vulneráveis aumentam a chance de ocorrer violência ou de agravá-la. Violência e dependência de Substâncias Psicoativas (SPA) frequentemente se associam e para quem está casado/a (ou tem parceiro/a íntimo/a) afetam a sua relação e são agravados pelas dificuldades da relação: tensões, brigas, comunicação violenta (Feijó et al., 2017).

A psicoterapia pautada no pensamento sistêmico visa o cuidado com as relações, além do fortalecimento de pessoas (Grandesso, 2017), demandas importantes em tempos de pandemia, nos quais rotinas domésticas foram alteradas, houve aumento do tempo de convivência em algumas famílias, redução de renda e de convívio social entre amigos e colegas de trabalho (Ferreira & Falcão, 2020). 

Atuação do psicólogo em tempo de pandemia

Posto o contexto de vulnerabilidade social presente neste momento ímpar que a humanidade está vivendo, a pandemia por COVID-19, psicólogos precisaram buscar novas respostas de atuação e de intervenção em sua prática profissional, uma vez que as necessidades e sofrimentos que as pessoas apresentavam quando comunicada a pandemia se mantiveram ou foram agravadas. A pandemia mudou parte do contexto, por consequência, não é possível manter certas ações e maneiras de intervir. Chegou o momento da reinvenção e da quebra de paradigma para sair da zona de conforto – portanto, de ser criativo e lançar mão da espontaneidade, da capacidade de dar respostas novas a uma situação antiga ou de novas respostas a uma nova situação, o que é inerente ao ser humano (Moreno, 1993).

Muitos psicólogos, como a maioria da população ameaçada pela referida pandemia, precisaram se abrir ao novo e ao desconhecido, ao apoio mútuo e ao aprendizado conjunto para fazer frente às demandas das pessoas com as quais trabalham. A crença no ser humano como um gênio em potencial, um sistema vivo e aberto em constante aprendizado, que fortalece e é fortalecido por trocas como apontam os estudos sobre a resiliência comunitária (Souza, 2011), colaborou para que novos meios de atendimento fossem considerados – desses, destacou-se o digital.

Diante da angústia, do desespero e da vulnerabilidade já exposta, que inclui incertezas, dificuldades econômicas, aumento da violência e da fragilidade de alguns vínculos, com consequente impacto emocional e exacerbação do sofrimento psíquico, havia urgência em fazer diferença no campo do atendimento psicológico. Coerentemente com os estudos sistêmicos que mostram que o momento de crise traz oportunidades (Morin, 2015), foi possível vislumbrar a possibilidade de mudança e aspectos positivos que também acompanham grandes transformações: escolher flexibilizar e aprender ao invés de apenas resistir. Metaforicamente, seguir o fluxo da onda sem se afogar, receber o que o novo traz de bom como presente, sem prescindir do que deve ser preservado, como o cuidado com vidas. Os atendimentos online, nova forma de trabalho para a maioria dos psicólogos, tornaram-se o principal meio de acolher demandas tais como as dificuldades relacionais, o aumento de sintomas como os de ansiedade e depressão, associados ou não a compulsões, insônia, desesperança e medo.

Nesse cenário atrelado à pandemia por COVID-19, no qual o distanciamento social se tornou condição de sobrevivência, o psicólogo pôde ou teve que se lançar no mundo virtual para amparar pessoas. Manter seu trabalho com indivíduos, famílias e grupos e acolher outras pessoas que solicitaram atendimentos, apesar de desafiador mostrou-se ético, desde que respaldado por parâmetros tais como a Resolução n° 011/2018 do Conselho Federal de Psicologia (CFP, 2018) e tomados alguns cuidados, como a manutenção da postura de inclusão, de humanização e de solidariedade, com redobrada atenção ao sigilo tanto do terapeuta quanto do cliente, para preservação da ética profissional. Nesse sentido, cuidados com a qualidade e segurança das plataformas utilizadas para a intervenção e a discussão com os atendidos sobre os espaços e meios adequados de garantir a privacidade precisaram ser redobrados. Mantiveram-se o zelo e o respeito com o outro e com sua intimidade, pois muitas vezes foi necessário “entrar em sua casa”, na intimidade do lar, o que, por outro lado fez emergir situações que talvez nunca surgissem como queixa no consultório, tais como a falta de privacidade e de respeito necessários à realização da sessão mediada por tecnologia.

Além da escuta ativa a tais novas demandas, fez-se necessária atenção especial à comunicação não verbal e aos pequenos movimentos faciais ou mesmo a fluidez ou a descontinuidade do relato, já que a falta de contato presencial “olho no olho”, bem como outros gestos no cumprimento inicial e na entrada no consultório, deixaram de ser fonte de observação e de compreensão. Ainda assim, para as autoras é devido abrir o coração e assim tocar a alma (Oliari, 2020). A forma de atendimento online, especialmente quando se trata de continuidade de processos psicoterapêuticos, possibilita o acolhimento e a compressão, mas envolve, conforme discutido, quebra de paradigmas com grandes aprendizados, reformulações de crenças e posturas. A primeira autora avaliou com seus clientes de modo informal o alcance e a eficiência dessa modalidade e recebeu respostas coerentes com os estudos de Pieta e Gomes (2014) sobre a avaliação da relação terapêutica nas terapias online e na terapia presencial, que não mostrou diferença significativa.

Apesar da necessidade de adaptação ao novo e dos cuidados necessários, conforme mencionado, a terapia online trouxe algumas vantagens, principalmente para quem tem rotina apertada, ou viaja muito, uma vez que possibilita a flexibilização dos horários e a otimização do tempo de ambos os lados (terapeuta e paciente), não sendo necessário deslocamento, estacionamentos, etc. O indivíduo pode ser atendido no ambiente em que se encontra, desde que privado e em que se sinta seguro. Inclusive para quem migra ou vive em regiões remotas e não tem acesso a terapia (Oliari, 2020, Pieta & Gomes, 2014). Vale pensar também na inclusão das pessoas com doenças crônicas – que não podem ir aos consultórios – e do próprio terapeuta que, quando faz parte do grupo de risco, deve preservar-se, sem interromper o contato com os que necessitam de atendimento.

As autoras defendem que, para além da psicoterapia, as comunicações e intervenções no mundo das mídias sociais devem promover a divulgação de conhecimento sobre saúde mental, por meio de interação socioeducativa, preventiva e facilitadora de processos terapêuticos. Tais processos devem ocorrer sempre que houver demanda por parte de quem os procuram (Grandesso, 2017).

Método do trabalho online

O trabalho do psicólogo, seja online ou presencial, consiste em construir novas possibilidades de viver e de se relacionar com as pessoas, famílias e grupos. Muitas vezes, trata-se de fomentar reflexões e questionamentos internos que possibilitam mudanças de visão, de sentimentos, de comportamento e de relação. Frequentemente há redescoberta de valores tais como a importância de liberdade, de responsabilidade, de cooperação, de solidariedade e de diálogo fraterno que, entre outros, possibilitam a reapropriação do potencial de sabedoria e de criatividade, com o surgimento de novas respostas, alinhadas a cada situação que se apresente, portanto, com consciência, autoconfiança e determinação (Oliari, 2020).

O homem é um ser relacional e, quando no grupo, este funciona como um recurso terapêutico importante para estimular o contato com o outro e estabelecer possíveis canais de comunicação. Quando Moreno (1983) fala do método grupal diz que cada homem é o agente terapêutico do outro e cada grupo é o agente terapêutico do outro grupo. Logo, o atendimento individual fortalece o grupo familiar e este fortalece a comunidade em que está inserido e temos, então, a terapia para a humanidade.

Em processos de terapia online podem ser usadas técnicas narrativas e colaborativas associadas a técnicas dramáticas e de desenho, para fomento de reflexões, de resgate de redes de apoio e de fortalecimento de vínculos (Denborough & Ncube, 2011).

Como exemplo, citamos o desenho e discussão sobre a “Pizza do Trabalho Ideal” e a “Pizza da Qualidade de Vida” (Souza & Feijó, 2020). Também é possível, após explanar sobre os diferentes aspectos que nos tornam vulneráveis, pedir que reflitam sobre “Que aspectos individuais, sociais/relacionais e programáticos afetam positivamente a sua qualidade de vida e a sua saúde?” O Mapa das Redes Culturais (Marra & Feijó, 2004) pode ser outro recurso de co-construção associado ao enfrentamento da pandemia: “Faça uma lista de pessoas significativas para você (hoje e no passado). Pense o que elas te diriam sobre qualidade de vida e saúde. O que elas te mostraram? (seus modelos e padrões comportamentais e relacionais de referência). De tudo que provavelmente ouviria delas e do que observou em seus comportamentos, relações e escolhas, o que deseja manter e repetir (Quais são as suas escolhas e projetos de vida e de desenvolvimento?)”

Os exercícios da “Pizza do Trabalho Ideal” e a “Pizza da Qualidade de Vida” (Souza & Feijó, 2020) e do “Mapa das Redes Culturais” (Marra & Feijó, 2004) podem ainda ser complementados com reflexões sobre a busca por condições adequadas de trabalho e por desenvolvimento, com sentido e satisfação pessoais: Lembre-se: na vida adulta, um trabalho de qualidade (não precário, desejado, que traga satisfação, socialização, participação, expressão de ideias e de habilidades) tende a ser protetivo. Mas o trabalho bom para um pode não ser bom para outro – e não são todos que desejam ter o trabalho como aspecto central de suas vidas.

Durante a representação gráfica da “Pizza da Qualidade de Vida” é solicitado que a pessoa pense no que ela acredita ser necessário para que a vida seja boa e divida em pedaços de acordo com a importância de cada aspecto em sua vida ou da quantidade de horas que deverá reservar para cada elemento necessário ao bem viver. Já na “Pizza do Trabalho Ideal”, deve ter  elementos (representados pelos pedaços de pizza) importantes para o trabalho desejado pela pessoa. O trabalho almejado deve ter possibilidades de alinhamento com os projetos de vida.

 As relações afetivo-sexuais (familiares/íntimas/conjugais), podem ser outro foco de reflexão após os exercícios indicados ou uso de parte deles. Tais relações podem ser protetivas se gerarem apoio, legitimação, mas também certa autonomia e protagonismo. “Ser você e pertencer, é fundamental!” Violência de qualquer natureza enfraquece quem a comete e principalmente quem é alvo do ato violento. Perguntar em quais grupos da rede social, cada pessoa se sente mais livre para expressar-se e se já vivenciou algo violento, pode ser relevante.

Considerações finais

A pandemia por COVID-19 demanda, além de distanciamento social, outros cuidados com a saúde e mudanças de hábitos, um importante processo de reflexão sobre a existência e sobre as condições de vulnerabilidade e de fragilidade humanas. Tal processo de reflexão impacta os psicólogos e aqueles por ele atendidos, que são parte de tal processo e precisam ser assistidos e dar continuidade às suas vidas com segurança. Os atendimentos online podem ser uma oportunidade de manutenção do contato, do suporte e do desenvolvimento de processos psicoterapêuticos, quando a distância se impõe como necessária.

Para as autoras, a terapia online, quando aplicável e necessária, deve ser feita com cuidado e critério, preferencialmente associada a encontros presenciais e com contínua avaliação. A flexibilização cuidadosa dos profissionais para adequação de sua prática aos tempos de pandemia, se alinham às necessidades de humanização, de solidariedade e, portanto, da conscientização sobre o coletivo, que demanda consumo consciente, zelo com a natureza, com as relações e vínculos.

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Como citar esse texto

APA – Oliari, A. L. T., & Feijó, M. R. (2020). Terapia online e fortalecimento de vínculos em tempos de pandemia. CadernoS de PsicologiaS, 1. Recuperado de https://cadernosdepsicologias.crppr.org.br/terapia-online-e-fortalecimento-de-vinculos-em-tempos-de-pandemia.

ABNT – OLIARI, A. L. T.; FEIJÓ, M. R. Terapia online e fortalecimento de vínculos em tempos de pandemia. CadernoS de PsicologiaS, Curitiba, n. 1, 2020. Disponível em: <https://cadernosdepsicologias.crppr.org.br/terapia-online-e-fortalecimento-de-vinculos-em-tempos-de-pandemia>. Acesso em: __/__/____.